Leve Inutilidade

Leve Inutilidade

terça-feira, 18 de maio de 2010

Está anoitecendo .


E denovo, dentro de mim . Parece que quanto mais eu fico longe dele, mais eu me aproximo de você . A ingenuidade parece sufocar, quando eu fico por aqui pensando se você vai ouvir minhas palavras, fazer as coisas darem certo e irem cada vez mais longe com ela . A dúvida amarga minha boca, meus braços, meus dedos . Eu abraço minhas pernas bem forte, contra o peito, você ? ou eu ? Escolhi você . Sempre . Usar da minha malícia e te ensinar como fazer as coisas que você desejava, mesmo que me doesse . Mesmo que me enfiasse dentro do quarto, me perguntasse noites adentro, por que diabos ? Por que diabos eu não estraguei tudo, te fiz amargurar durante uns dias, e voltar pra nossa paixão ? Eu poderia ter te lembrado dos nossos momentos bons, dos nossos todos momentos . Eu poderia te mostrar que me mantive resoluta e decidida somente pra você, que escolhi cada palavra pra te manter bem, que insisti no dia que senti sua voz quietinha e eu sabia que tinha algo errado . Eu te lembraria de cada dia, de todo dia que ouvi você dizer da sua nova paixão . De reclamar da saudade, de dizer que mudou . Eu lembro ainda de ter sonhado seus sonhos em uma cidade pequena no dia que dormi perdida no seu cobertor . Talvez tenha sido um sonho meu . Eu poderia te contar de cada dia que acordei com uma angústia de quem tenta sustentar o devaneio que foi somente uma viagem de uns dias, mas a ausência que se alonga por meses tenta confundir . E consegue . Eu diria das lágrimas que desceram quentes, quando eu tomava um banho gelado em noites frias, tentando me concentrar somente na minha pele gélida, parecendo partir em mil pedaços . Eu queria disfarçar que meu peito parecia se partir em mil pedaços . Ou não somente parecia . Eu não gostaria de contar das semanas que vivi sem viver, me arrastando pelos meus sorrisos excentricamente grandes . Mas eu teria tantas longas tardes admirando seu rosto, que talvez eu contasse até mesmo o que não sei sobre mim . E no final, eu continuaria escolhendo tudo aquilo que me pertence, e que viajou por uns dias . Eu sempre me decido por você . Eu ?

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

E eu odeio

como você me invade, com essa sua falta de educação e nunca pede licença . E é sempre assim, em uma tarde normal, no meio da semana . Entenderia se em um domingo à tarde, você deitasse na minha cama e disesse 'oi', mas desse jeito eu não posso nem me proteger . Eu gostaria de ter privacidade .

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Hoje,

o seu gosto em mim acordou mais ameno .

sábado, 23 de janeiro de 2010

É,

eu fui parar na sua casa . Bebendo vinho tinto . Seco . Duas garrafas dele, da maneira que você gosta . Sempre como você prefere . Eu me permiti, me deixei ver você, e não parar de fazer isso . Mantive um abraço cordial, porque eu não poderia me arriscar tanto assim, não é mesmo ? Eu podia sentir sua respiração, não conseguia parar de sorrir . Aqueles olhos bem na minha frente, me olhando ; de modo diferente, mas ao menos me olhavam, eu não me sentia tão sozinha e tão idiota no meu quarto, reconstruindo cada momento .
Quando, ela se pergunta confusa, as lembranças vão finalmente se transformar em boas recordações ? Quantas vezes mais preciso me lembrar até isso acontecer ?
Agora eu podia tocar você . Com os meus olhos, mas podia . E depois eu me deitei na sua cama, abracei o seu travesseiro . Eu não queria pensar em quantas vezes você estivera deitado ali com seus sonhos, e sem mim, mas eu podia sentir o seu cheiro . Eu o conhecia . Não era doce, não era estupendo . Mas era seu, e era meu, pois eu podia sentí-lo, quando pensava em você . Era exatamente como eu me lembrava . Enquanto você dormia sereno, em uma cama ao meu lado, eu me descobri observando você, respirando no mesmo ritmo . Eu queria deitar ali, e só acariciar seus cabelos . Como era antes . E como você sorria bonito .. É exatamente igual . E doloroso .

(i)* O Vestido Azul, Doris Dörrie .

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

É um dia daqueles ..

.. que acordei tipicamente instável . Também, não era por menos, eu nem me lembrava de como dormira . Meu pescoço doía, e eu ainda podia sentir o cheiro da garrafa de vodka escondida no canto do armário . Me entupi de bolo de cenoura (ou seria laranja?) com chocolate, pra não conseguir almoçar quando fosse a hora . A verdade é que quando ela começou a chorar, eu lembrei de tantas coisas e consegui me segurar . Só podia ser uma piada de muito bom gosto . Nada de lágrimas ontem, mesmo depois de conversar com você e sentir as minhas veias quase se partirem do meio de tanto movimento dentro delas . Nervosismo . E aquela tremedeira nas mãos, eu nunca consegui entender como eu ainda conseguia digitar alguma coisa decente naquele estado . E como você sustentava meu vício com coisas simples como 'saudade' . Solto, bem ali na tela do meu computador . E ainda estou viva . Até quando, só Deus . Com essas fortes emoções, hm ..

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Sabe ...

... quando você fica com um pé atrás ? Eu fiquei com dois . Só espero que isso não me faça descartar você, afinal, você ainda me tira do quarto quando penso naqueles olhos azuis, me torturando .

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

"Se Ana naquele instante olhasse fixamente para aquele homem, veria que, um dia, ele a faria sofrer. Da mesma maneira como fez com a jovem da praça da sua cidade. Mas ninguém congela um instante na memória tempo suficiente para compreendê-lo de fato. E o fato é que, brincando, Jaime avisou Ana que não pretendia se cansar por mais nenhum amor. Seus esforços nunca seriam grandes em função de nenhum sentimento, pois se acostumara a esquecer aquilo que amava, caso fosse muito custoso se lembrar."

Postado por Mandy .